Em cinco anos, desde que se tornou um salão de
exposições de arte contemporânea, o Park Avenue Armory ajudou a realizar
inúmeros projetos gigantescos e difíceis. Nada comparado, até agora, com a
proposta de Paul McCarthy, considerado um dos mais provocativos e influentes
representantes da arte internacional da atualidade.
Inspirando-se no conto de fadas alemão do século XIX e em sua exploração
contínua dos mitos e ícones americanos, McCarthy apresenta sua versão da Branca
de Neve. "WS" é uma instalação monumental que entrelaça uma floresta
encantada e uma casa à projeções de vídeo, onde os visitantes mergulham em um
mundo de fantasia e depravação.
O projeto ambicioso ocupa 55 mil metros quadrados e a visitação é proibida para
menores de 17 anos. Já na entrada se ouve uma cacofonia de sons sinistros:
grunhidos, suspiros e ecos arrepiantes. Nas paredes, cenas abundantes de nudez,
anões dementes e quadros psicossexuais grotescos, onde o próprio artista
interpreta o personagem "Walt Paul" - uma paródia e caricatura do
mestre da Disney.
Ocupando o coração da floresta encantada está a recriação da casa da infância
de McCarthy, cujo interior está repleto de coisas sujas, roupas rasgadas, além
de uma figura feminina em tamanho natural, nua e esparramada no chão, com a
boca suja de um líquido marrom.
Assim como em trabalhos anteriores, o artista aborda os temas obscuros e
profundamente humanos, como o corpo, a repressão social e o consumismo, o sexo,
a morte, os sonhos e os delírios. Comparado ao mundo de McCarthy, a arte
contemporânea pode parecer puritana e um tanto higiênica. E mesmo para aqueles
já familiarizados com as obras do artista, "WS" é a prova de que o
trabalho de McCarthy ainda pode deixá-los um pouco abalados. - Com informações do The New York
Times, ArtInfo e ArtDaily.
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